domingo, 26 de julho de 2015

Das levezas da alma...


"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo 
e eu para sempre 
te leve".

Cecília Meireles.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Frases

♫ 
Mas se for pra falar de algo bom eu sempre vou lembrar de você,
difícil não lembrar do que nunca se esqueceu...

(Uma criança com seu olhar - Charlie Brown Jr.)



Eu troco minha paz por um beijo seu,
Eu troco meu destino pra viver o seu...

(Tudo Que Você Quiser - Luan Santana)



domingo, 12 de julho de 2015

Para que ninguém a quisesse...

Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.


COLASANTI, Marina. "Para que ninguém a quisesse". 
In: Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. P. 111.
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(Na época da minha faculdade fiz uma análise deste conto e foi motivo de manter-se vivo na memória. Esse conto me faz pensar muito, como pode uma mulher se deixar esvaziar de si dessa maneira...) 

Rose Sousa.

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