domingo, 26 de julho de 2015
segunda-feira, 20 de julho de 2015
domingo, 12 de julho de 2015
Para que ninguém a quisesse...
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair. Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
COLASANTI, Marina. "Para que ninguém a quisesse".
In: Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. P. 111.
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(Na época da minha faculdade fiz uma análise deste conto e foi motivo de manter-se vivo na memória. Esse conto me faz pensar muito, como pode uma mulher se deixar esvaziar de si dessa maneira...)
Rose Sousa.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Apaixonada!
Refiz meu caminho
Pisei bem firme
Risquei no chão
Meu próprio rastro
Me amei com gana
Fiz pra mim uma canção
Me desejo tanto
Que às vezes me enlaço
Em meu próprio abraço
Ninguém pode entender isso
Senão aquele que também se ama
Contei um tempo só pra mim
Meu momento!
Minha vida!
Derramei aos meus pés
Todas as regalias reais
Me alimentei do melhor banquete
Me apaixonei por mim
Doce e selvagem
Que aninha
Que foge
Que ama
Que desencanta
E volta a sorrir
E se encontrar
No melhor lugar
Que poderia estar
Dentro de si mesma
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sábado, 16 de maio de 2015
Coração de Estudante
Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Tantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto
Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, plantas, sentimento
Folha, coração, juventude e fé.
Milton Nascimento
quinta-feira, 7 de maio de 2015
DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
quarta-feira, 25 de março de 2015
Retratos Rasgados
Eu te avisei
Pra não olhar pra trás
É tarde demais
Eu te mostrei
A vida dá sinais
Fez que tanto faz
Agora julga tudo que passou
Pensa que sabe quem eu sou
Mentiras jogadas
Deixam marcas no meu coração
Retratos Rasgados
São pedaços soltos pelo chão
Eu te falei
Nem tudo é igual
Pena que foi mal
Eu te ensinei
Tudo era natural
Tanta coisa e tal
Às vezes acho que me deu valor
Mas tudo passa-acabou
Letra de música: Roupa Nova
domingo, 8 de março de 2015
Ninguém sabe...
Além
Desse rosto
Uma lágrima
No papel
Riscado
Às vezes
Choro
Poesia...
Letras
Escorrem
Sem forma
definida
Me finjo
Adormecida
Ninguém
Enxerga
Além
de mim
Aqui de dentro
Das paredes
Que me cercam
Ninguém sabe
Ninguém sabe
não...
Que
perdi
A direção
do sol
O ritmo
Do meu coração
Quando
Estou Perdida
E o céu
Adormecido
Ninguém sabe...
Que fiz
uma escolha
E errei
O caminho
Escolhi
Me trancar
Na torre
Nela confiei
Os meus
segredos
E não há
nenhum lugar
do mundo
Que eu possa estar
Mais segura
Longe de mim
Longe de mim...
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terça-feira, 3 de março de 2015
Soneto de amor
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... — abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Régio, in “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa, Eugénio de Andrade”.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Azul
Por ser um azul piscina
Dos olhos fitando o azul
Por ser azul uma vitrine
Água dos mares do sul
Por ser criança e menina
Te vejo como o mar
Por ser assim feminina
Poesia: Oswaldo Montenegro
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Fugitiva
Procurei uma linda poesia para postar, mas nenhuma me despertou. Para mim, falar de amor é falar do desconhecido. Prefiro falar de mim, contar quantas vezes montei em meu cavalo como uma fugitiva, procurada viva ou morta. Por muitos tostões procuram-me. Crimes? Tantos... Já perdi a conta... Minha ficha criminal é banhada por um silêncio algoz, por sonhos, os quais não os deixarei morrer. É pintada por gotas douradas da eternidade, onde anjos cantam melodias perfeitas. Enquanto isso, aqui embaixo, subo às montanhas, do dorso do meu alazão às asas solitárias da minha vida. No silêncio largo,o tilintar da cela e o batido dos cascos são as únicas companhias, até que um relincho do baio dilacera a quietude. Atravesso o desfiladeiro, olhos no infinito.Tudo que quero agora é embrulhar o meu medo nas alturas e saltar de novo nas crinas do vento. Preciso fugir... Mas minha gaveta emperrou, são tantas coisas guardadas para despejar e despedir-se de mim de uma vez. Não quero mais gavetas, nem cofres... O que mais quero é meu corpo estendido na relva, chafurdado no orgasmo da terra quando os céus derramam o néctar das chuvas... Livre! Como uma semente, que da solidão do seu sono, acorda para ver o sol...
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Feliz 2015!!!
O ano de 2015 está chegando e com ele muitos votos de felicidade e saúde para todos. Mas, mais importante do que as previsões para 2015 é a coragem de corrigir velhos erros. O verdadeiro sentido de comemorar o ano novo é estar disposto a mudar suas atitudes e melhorar sua vida.
Desejo a todos nós que o Ano Novo venha trazendo muito otimismo, muita força de vontade, muita alegria, paz, saúde e felicidade. Desejo aos amigos: o melhor!!!
sábado, 6 de dezembro de 2014
Pra você guardei o amor
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz
do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Achei
Vendo em você
Explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Letra de Música: nando Reis
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
É no Vazio...
A vida precisa do vazio:
a lagarta dorme num vazio
chamado casulo
até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio
para ser ouvida.
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco
para ser escrito.
É no vazio da jarra que se colocam flores.
E as pessoas, para serem belas e amadas,
precisam ter um vazio dentro delas.
A maioria acha o contrário;
pensa que o bom é ser cheio.
Essas são as pessoas que se acham cheias
de verdades, sabedoria e falam sem parar.
São entediantes!
Bonitas são as pessoas que falam pouco
e sabem escutar.
A essas pessoas é fácil amar.
Elas estão cheias de vazio.
E é no vazio da distância
que vive a saudade.
Rubem Alves
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Sonho de Ícaro
Voar voar, subir subir
ir por onde for
Descer até o céu cair
ou mudar de cor
Anjos de gás
asas de ilusão
E um sonho audaz
feito um balão
No ar no ar
eu sou assim
brilho do farol
Além do mais
amargo fim
simplesmente sol
Rock do bom
ou quem sabe jazz
Som sobre som
bem mais, bem mais...
O que sai de mim vem do prazer
De querer sentir o que eu não posso ter
O que faz de mim ser o que sou
É gostar de ir por onde ninguém for
Do alto coração
mais alto coração
Viver viver e não fingir
esconder no olhar
Pedir não mais que permitir
jogos de azar
Fauno lunar
sombras no porão
E um show vulgar
todo verão
Fugir meu bem pra ser feliz
só no pólo sul
Não vou mudar do meu país
nem vestir azul
Faça o sinal
cante uma canção
Sentimental
em qualquer tom
Repetir o amor já satisfaz
Dentro do bombom
há um licor a mais
Ir até que um dia chegue enfim
Em que o sol derreta a cera
até o fim
Do alto coração
mais alto coração...
Letra de música: Byafra
sábado, 13 de setembro de 2014
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Vem...

Silenciosamente
Toque
Minha Pele
Nua
Quente
Sinta
Minha Pressa
Vem
Correndo
sê
Por inteiro
Meu
Achega-te Mais
Me enlace
Sussurra
Nos meus ouvidos
Loucuras
Que
Só você
Só você
Sabe
O Jeito
Que me derreto
Que
Me derramo
Como o horizonte
Esperando
O sol
Lhe Tocar
Lhe
Aquecer
Com sua luz
Venha
Se inebriar
Viajar
Nas planícies
Deslizar
Nas curvas
Subir
Descer
Montanhas
Sentir
Como é doce
O fruto
E agora
Aconchegado
Em
Mim
Mim
Me fale
Segredos
Bem baixinho
Só você
Mexe Comigo
Me tira
Sentidos
E sei
Que
Em mim
Encontras
O que anseias
Então
Renda-se
Perca-se
Nos meus
Recônditos
Enlace seus dedos
Nos meus
Nossas mãos
Palma
Na palma
Olhos nos Olhos
Corpos
Colados
Sede
Fome
Desejo
Loucura
Insanidade
Paixão
Esmague
Meu Corpo
No Seu
E
Mate
Hoje
Agora
Sem demora
Sem demora
Essa saudade!
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
O tom da Nostalgia
O que ficou
Aqui
É tão cruel...
Coisas
Que o tempo
Não apaga
Não cura
Uma voz
Gravada
Aqui
Em mim
Um carinho
Um beijo
Que não senti...
Como pode
Uma coisa assim...?
Coisa sua
Ausente
Presente
Que insiste
Em ficar
Em mim...
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Das antíteses e paradoxos de mim...
Posso até parecer
complicada,
desajustada,
radical.
É que às vezes
penso muito,
falo pouco
e no pouco que falo
muito digo.
Sou intensa
como um vulcão
e fria
como as geleiras.
Tranquila
como um pássaro,
tempestiva
como um tornado.
Não esqueço facilmente
uma ofensa,
mas perdoo
sempre
e não firo
com a mesma espada.
Não aprecio disputas irrelevantes,
mas não desisto fácil.
Quantos me quiseram arrastar
para o campo de batalha
e nele, sozinhos, se sufocaram
em suas próprias frustrações.
Choro pouquíssimas vezes
e nunca me arrependo
de ser idiota
por alguns minutos,
prefiro a lucidez
da fragilidade
do que a ilusão
da força absoluta.
Já me tentaram descrever
e fracassaram na tarefa,
pois pra se entender alguém
não é necessário muito raciocínio,
só um pouco de sensibilidade.
A alma das pessoas estão expostas
à violência do julgamento
de quem não tem capacidade
de sentir sua vibração.
Ninguém é totalmente forte
ou totalmente fraco,
num dia podemos ser água corrente
e no outro fogo consumidor.
Tudo vai depender das circunstâncias,
não da nossa vontade.
O que mais me atrai
são as complexidades,
não suporto coisas rasas,
me rendo à águas profundas,
porém me deleito nas margens tranquilas...
Não guardo fórmulas à sete chaves,
meu segredo é não ter segredos,
porém o que eu escondo,
ninguém acha...
Não faço questão de ser o centro dos olhares,
tenho muita fome de seguir em frente,
não observo o passado por muito tempo.
Se minha pressa me fizer cair no precipício,
sei que asas eu tenho, é só abri-las...
Se o vento soprar contra,
bato-as mais forte,
tempestades não duram para sempre.
A única coisa que me importa
é ouvir a voz que nunca se cala
dentro de mim,
não é minha razão,
é meu coração
que bate
involuntariamente,
guiado por Deus.
Daí a minha força!
Daí o meu "diferente".
Não me convém ser igual,
não me ajusto aos moldes perfeitos,
não me moldo à meias verdades
ou a meio sentimentos.
Sou um novo caminho nessa velha estrada.
Não exijo perfeição de ninguém,
não seria justo querer algo
do que não posso oferecer.
Porém, da sinceridade e do amor pleno,
desses?
Eu faço questão!
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