terça-feira, 24 de julho de 2012

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieto,
muito quieto
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.



(Vinícius de Moraes)

3 comentários:

  1. Minha querida

    Adoro Vinicíus, e este poema é lindo, uma boa escolha.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

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  2. Olá!
    Como vai?quem some sempre dá o sinal de vida.
    Poema maravilhoso dispensa comentários,tens bom gosto.
    Desejo o melhor para ti, sejas sempre feliz.
    Bjos.

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  3. Rose Querida obrigado por postar este poema de Vinicius...acho ele divino um beijo Pedro Pugliese

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"São os sentimentos e não o intelecto que determinam as opiniões. " Seja bem vindo!

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